Quando não escrevo, estranho esta cabeça equina.
Quando as palavras não beijam o papel da minha pele,
Adormeço. Entro no sono profundo dos pássaros nos ninhos.
Sobe-me à cabeça um novelo irreal.
O Pacheco anda-me na cabeça, voa de encontro
às estantes desarrumadas deste ninho.
Hoje há um voo dentro de mim, igual a todos os bandos
de libertinos, que sobreviverão à minha morte.
A boca vai ruminando a literatura clandestina.
Ingerindo letargia até atingir o climax da noite.
Bebo-te a boca, a língua, o sexo ovulado.
Troco-te por um negócio de cama desalinhada,
A minha sede apetece-te tocá-la.
A seda desenhada na pele de vinho,
Abraças-me e a madrugada entra-me
de rompante num corpo verde de seiva matinal.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
sábado, 12 de setembro de 2009
RESTOS
Quem somos nós depois de nós: restos
Detritos transportados em caixas de sapatos,
Caixinhas-homenagem, com laços
No pedaço de asco a que nos tranformam
Sem direito a recusar tais honrarias.
Por mim exijo a total integração
na terra. A ela voltar, às pradarias,
e aí repousar anónimo nos vales absortos
de neblina e de néctares e de vinho.
De mil bebedeiras padecer sem salvação.
E da tal terra desejar o último chão.
Fuck off e o tal dedo no ar: tudo o que me resta.
Detritos transportados em caixas de sapatos,
Caixinhas-homenagem, com laços
No pedaço de asco a que nos tranformam
Sem direito a recusar tais honrarias.
Por mim exijo a total integração
na terra. A ela voltar, às pradarias,
e aí repousar anónimo nos vales absortos
de neblina e de néctares e de vinho.
De mil bebedeiras padecer sem salvação.
E da tal terra desejar o último chão.
Fuck off e o tal dedo no ar: tudo o que me resta.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
EM MIM
Em mim,
Existem elementos puros e incertos,
Existem margens de rios inacabados,
Um coração com leito adiado,
Existe o norte e o sul,
E estradas que mos trazem inteiros,
Existe um tempo, para além do tempo,
Um calendário,
Em escritas calmas de diário,
E uma fúria de mar,
De onda rebebentada no cais.
Existe uma viagem constante
De arrais.
Um sol intenso e laivos de cegueira,
E um oiro secreto no peito.
Existem elementos puros e incertos,
Existem margens de rios inacabados,
Um coração com leito adiado,
Existe o norte e o sul,
E estradas que mos trazem inteiros,
Existe um tempo, para além do tempo,
Um calendário,
Em escritas calmas de diário,
E uma fúria de mar,
De onda rebebentada no cais.
Existe uma viagem constante
De arrais.
Um sol intenso e laivos de cegueira,
E um oiro secreto no peito.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
CORPO INCENDIADO
Os momentos breves do incêndio de corpos,
A sofreguidão das bocas,
A tua pela acesa entre as minhas mãos,
Voláteis.
As dobras ausentes dos corpos, arredondados,
Por fim a labareda das almas,
Como o crepitar do lume macio,
Em noites de frio intenso.
Esta combustão sem intervalo
De fogo preso, esta agonia de mundos
Silenciados.
Abro na tua pele uma cratera de fogo,
Qual insecto sedento de seiva
Seminal.
As coxas firmes, sedosas,
Sangram de prantos e de noite adiada.
Na tua boca murmurada,
Ouço a respiração rouca, outonal.
A sofreguidão das bocas,
A tua pela acesa entre as minhas mãos,
Voláteis.
As dobras ausentes dos corpos, arredondados,
Por fim a labareda das almas,
Como o crepitar do lume macio,
Em noites de frio intenso.
Esta combustão sem intervalo
De fogo preso, esta agonia de mundos
Silenciados.
Abro na tua pele uma cratera de fogo,
Qual insecto sedento de seiva
Seminal.
As coxas firmes, sedosas,
Sangram de prantos e de noite adiada.
Na tua boca murmurada,
Ouço a respiração rouca, outonal.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
PRESCRIÇÃO
A poesia deve ser usada com moderação,
Após três dias de produção contínua
Começam a ser evidentes os primeiros sintomas
de habituação, com resultados nocivos
para a existência dos menos avisados.
Uma leitura poética frequente pode causar
tonturas, estados de confusão e uma enorme
vontade de defecar.
Aconselha-se o uso de preservativo nos
livros, para prevenir a incontinência seminal,
Posologia: um(a) ao deitar e outra ao levantar,
A leitura contínua provoca impotência
a longo prazo. Aos primeiros sintomas
retomar a vida prosaica, monótona,
monogâmica.
Após três dias de produção contínua
Começam a ser evidentes os primeiros sintomas
de habituação, com resultados nocivos
para a existência dos menos avisados.
Uma leitura poética frequente pode causar
tonturas, estados de confusão e uma enorme
vontade de defecar.
Aconselha-se o uso de preservativo nos
livros, para prevenir a incontinência seminal,
Posologia: um(a) ao deitar e outra ao levantar,
A leitura contínua provoca impotência
a longo prazo. Aos primeiros sintomas
retomar a vida prosaica, monótona,
monogâmica.
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